26 de dez. de 2009

Na varanda

Oswaldo a deixou na sala e foi procurar sua mãe para lhe apresentar. Ela se sentou timidamente no sofá e notou que o tapete principal combinava perfeitamente com as cortinas. As fotos de Oswaldo em sua infância que estavam à mostra na estante puxaram sua atenção. Nas fotos, ele aparecia com seus pais e amigos, mas havia três onde apenas ele e sua mãe apareciam abraçados. Lembrou-se do que Oswaldo a tinha dito sobre a mãe dele, naquele memento ela pode entender suas palavras que ele usara para descrever essa relação familiar, eles eram muito apegados, muito próximos.

Oswaldo e sua mãe entraram na sala. Helena estava encurvada e apertando os olhos para ver os detalhes das fotografias. Oswaldo apresentou Helena a sua mãe, encheram-se de cumprimentos e cordialidades. Ambas eram mulheres muito educadas e faziam questão de mostrar isso. Ana elogiou os sapatos de Helena, essa respondeu com um sorriso. Havia sorrisos em todas as bocas.

Oswaldo perdeu seu pai ainda na infância, um acidente de trânsito. Ana achou melhor poupar o filho do transtorno de outro homem em casa e decidiu por não se casar novamente. Oswaldo realmente não desejava que ela se casasse com outro, porém nunca a teria exposto esse seu desejo já que isso a magoaria muito.

O homem da casa fixou seus olhos durante um minuto ao longe, como quem procura lembrar algo. Tinha se esquecido de comprar o vinho para o jantar. Oswaldo pegou as chaves do carro e foi ao mercado. Assim pode dar a oportunidade das duas se conhecerem melhor.

Elas se sentaram na varanda, era uma noite tipicamente quente. Helena elogiou o filho de Ana com mil adjetivos e sorrisos tímidos enquanto a outra balançava a cabeça muito lentamente em sinal de compreensão. Ana concordou, Oswaldo era de fato um bom homem, não só para ela, mas todos que o conheciam não vacilavam em elogiar-lhe o caráter distinto e humor refinado. Mas de repente Ana mudou o tom de voz para um mais sério e um pouco assustador.

Ela disse que seu filho era um exemplo a ser seguido, homem reto, íntegro etc, mas que Helena deveria ser cautelosa. O que significaria cautelosa? Por que Ana falava essas coisas?

Ana explicou-lhe que Oswaldo, quando posto sob grande pressão, tem certos excessos. Contou-lhe um caso ocorrido quatro anos atrás, onde ele acabou na delegacia por certo fato e outro, ocorrido há cinco anos, onde ele passou sete dias no hospital sob esta e aquela condição. Helena ouvia a tudo com uma face dúbia, difícil de interpretar. Por que essa mulher fala essas coisas de seu filho? Que pretende? Ela contava essas histórias com muita delicadeza, de uma forma que poderia até ser chamada de simpática.

Oswaldo chega, a garrafa de vinho o acompanha na sua mão esquerda. A mãe esta na sala, no mesmo lugar onde a pouco estava Helena e, como ela, olhava as fotos de Oswaldo. Ele perguntou onde estava sua namorada.

19 de dez. de 2009

Esclarecimento aos leitores amigos

Como vocês já perceberam, o ano não foi muito produtivo. Sou muito ocupado, mas nas férias pretendo regressar a essa sociedade secreta de escritores anônimos brasileiros, afinal, como disse Drummond: "Você não morre, José/ Você é duro".

8 de abr. de 2009

No butiquim

- Eia, tá cego homi? Quase passa por cima e não comprimenta os amigos.
- Hã hã... mas se eu tivesse visto que era o cê eu nem tinha entrado, nego safado.
- (Risos barulhentos e em conjunto)
- E aquele seu timinho! Que vexame! Eu nem.
- Hi. Começo. Agora aguenta.
- Eu nem acredito que perdi tempo assistindo àquela bosta (risos)! São tudo um bando de moça correndo atrás da bola.
- Cê lava essa pra fala do meu time. Ó, são três, três títulos brasileiros. Conquistados na época que tinha que ter raça pra ganha!
- Bestera.
- Bestera foi aquele comício daquele joão-bosta do Miltinho, e você tava lá puxando o saco dele, cês são um bando de burro! Faz mais de 3 anos que ele tá lá na prefeitura e não faz nada além de ficar andando de carro por aí.
- E adianta mudar pra quele muleque que não têm um pêlo na cara? Hein?
Uma morna e oculta noite brasileira.


3 de mar. de 2009

Fábula aos oito anos

Era uma vez uma linda princesa. Ela vivia sozinha num grande castelo. Cansada das paredes velhas e caídas do castela ela resolveu que gostaria de um novo castelo. Então ela saiu pelo portão principal e começou a pedir por um novo castelo.
Primeiro ela pediu para o Sol, mas o Sol disse não. Depois ela pediu para a Terra, mas ela disse não. O dia escureceu e a Lua apareceu, a linda princesa pediu para que a Lua realizasse seu desejo. Mas antes de a Lua responder o Mar que a tudo ouvia disse -"Não se preocupe linda princesa. Eu lhe darei um castelo tão lindo como seu branco vestido depois dessa noite. Então a princesa foi dormir pensando no seu novo castelo.
Na manhã seguinte ela se levantou e olhou pela janela e viu uma grande montanha de sal.