18 de set. de 2008

Cadê a filosofia?

Certa vez li um artigo, de um senhor com idéias muito interessantes, que a filosofia consiste na desbanalização do banal, ou seja, em tornar o que é comum, corriqueiro e trivial em objeto de abstração, objeto de crítica ou mesmo pensamento.
A não-filosofia, ainda segundo o velhinho sabido, é o estado de tédio, para mim, nada mais certo. Os dias se passam numa monotonia espantosa apesar dos acontecimentos interessantes que se desenrolam no passar das horas. Fazendo um dos meus tradicionais caminhos do dia me deparei com situações que gerariam verdadeiras discussões ideológicas, críticas à sociedade, emfim, tantas coisas que não cabem nas palavras. Tudo tão excitante, tão fervoroso, gritante e você num estado de tédio paralítico.
O que primeiro me chamou a atenção foi cert* candidat*, que não cito o nome por razões não óbvias, fazendo corpo-a-corpo com eleitores na praça, agora mesmo a dez minutos atrás. O que chamou a atenção foi o aparato logístico e estratégico que acompanhava o duas pernas.
Depois me vêm aos olhos uma moça nova, bonita, mas com roupas muito extravagantes - diga-se de passagem, comuns por aqui, olha a banalização... -, tinha também cabelos a Bob Marley, se é assim mesmo que se escreve, e uma calça que me fez pensar que ela era da África, certamente não era, o fenótipo evidenciava isto. Atrás dela uma grávida me roubou a atenção, devia estar no nono mês com o feto com o braço pra fora! Quando virou o rosto para o meu lado vi o quanto era feia. Mas tratar de sexo aqui, nesse ponto, seria frustrante para mim e para o leitor.
Sigo reto pela habitual vereda, e como gosto dessa palavra, me soa familiar apesar de só ter visto na capa do livro do Guimarães. Eis outra questão para desbanalizar, vamos debater o uso de nossas palavras. Os limites da minha linguagem são os limites da minha razão? Êta mania de não deixar a cabeça em paz, às vezes ela tem que esfriar, mas como esfriar se tanta coisa acontece lá fora. O jeito é continuar pela vereda de cabeça baixa e boca calada, se ao menos tivesse alguém para conversar durante esse tempo de caminhada, evitaria tanta abstração. Mas essa é uma cidade de solitários.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sabe que isso é pura intriga da oposição! Curitiba tem muita gente legal. Eu, por exemplo haha

Anônimo disse...

uma das poucas vantagens de ser-se mais velha é saber cantarolar "vereda tropical"...:)

Anônimo disse...

Parece mentira, mas já me peguei cantando em voz alta a musica "Disparada" no banheiro.
Obrigado pela visita.